Mais marcas de

O promotor

mais ecológico

Owen Zachariasse é o Gestor de Inovação e Sustentabilidade da Delta, uma pequena empresa de construção sustentável com o objetivo de se tornar no “promotor mais ecológico”. É um objetivo ousado, por isso, decidimos conversar com Owen e tentar saber um pouco mais.

 

A Delta foi fundada em 1998 e foi sempre uma empresa detida e operada a nível familiar. Os escritórios, construídos de forma sustentável pela própria empresa, estão localizados no inovador parque de desenvolvimento Park 2020, junto ao aeroporto de Schiphol, em Amesterdão.

 

Começámos por perguntar a Owen qual é a sua motivação. “Sempre aspirámos a ser o principal promotor “Cradle to Cradle” dos Países Baixos”, afirmou. “É importante manter a autenticidade e usamos o nosso negócio para representar a nossa visão.”

 

Para Owen, a autenticidade está intimamente ligada às pessoas. “Somos todos seres humanos!”, diz com um sorriso. “O nosso negócio tem a ver com as pessoas – acontece simplesmente que construímos edifícios de escritórios.”

O planeta e as pessoas podem
acrescentar valor a uma empresa

Que diferença podem fazer as pessoas associadas à Delta? “A nossa indústria está repleta de práticas pouco saudáveis, por isso, utilizamos o nosso negócio como um veículo de mudança positiva. Gandhi disse “Sê a mudança que queres ver no mundo” e eu acredito que a crise é um motor de inovação. Também provámos que a mudança pode ter um impacto positivo no balanço.”

 

Assim, como em qualquer negócio, o que realmente importa é o objetivo? Segundo Owen, não necessariamente. “Perguntam-nos muitas vezes se pensamos em ‘pessoas, planeta, lucro’ como o ‘triplo objetivo’, mas preferimos pensar nesses elementos como o ‘triplo ponto de partida’. Acreditamos que é altura de dar uma volta de 180° à perspetiva de onde vemos as coisas e ter a noção de que o planeta e as pessoas podem acrescentar valor a uma empresa. Estes elementos trabalham em simbiose com o mundo natural, por isso, olhamos para as pessoas e para o planeta como ‘motores de valor’.”

 

E quanto ao lucro? “O lucro é aquilo que obtemos quando fazemos tudo da forma certa”, diz Owen, que afirma ter como lema “Melhorar e otimizar” e não “Reutilizar e reciclar”. 

“Perguntam-nos muitas vezes se pensamos em 'pessoas, planeta, lucro' como o 'triplo objetivo', mas preferimos pensar nesses elementos como o 'triplo ponto de partida’"
Escritório Philips – infografia de triplo ponto de partida: pessoas, planeta e lucro

A nossa abordagem é benéfica não só para o planeta e para as pessoas, como também para o lucro.

Em seguida, perguntámos a Owen acerca do tipo de desenvolvimentos em que a Delta está a trabalhar. É uma lista variada que inclui comércio, revenda e hotelaria – mas existem alguns temas constantes. Segundo Owen, “Criamos para adaptar. Idealmente, começamos por ter um arrendatário e por estabelecer um contrato de arrendamento a longo prazo, por exemplo, a mais de 10 anos. Desse modo, o arrendatário torna-se num contribuinte ativo para o projeto e num participante ativo no desenvolvimento."

 

Idealmente, comunicamos diretamente com o CEO e com os “responsáveis pela visão” da organização. Não queremos referir-nos a um edifício como quatro paredes, queremos referir-nos a um edifício como um instrumento para o desempenho empresarial – as pessoas ocupam um lugar central no nosso desenvolvimento."

Reformamos coisas novas
e reutilizamos de forma inesgotável

A Delta parece abraçar inteiramente a economia circular: “Reformamos coisas novas e reutilizamos de forma inesgotável. No fim de contas, é necessário manter o nível de qualidade, para que possamos reivindicá-lo dentro de 30 anos. Existe uma quantidade finita de materiais e temos de respeitar esse facto. A escassez inflaciona os preços, pelo que temos de ser inteligentes na forma como pensamos e reutilizamos."

 

Perguntamos a Owen se sente que esta tendência é mais vasta. A sua visão foi positiva: “Estamos a começar a ver as empresas mudarem para um 'pensamento sustentável' e é interessante ver empresas que constam do Índice de Sustentabilidade Dow Jones a ultrapassar outras empresas de topo a nível de desempenho”. De facto, Owen encara a sustentabilidade como um pré-requisito: “Atualmente, atingimos a saturação: é difícil não atribuir uma classificação BREEAM ou LEED a um edifício.”

Owen Zacharaisse, o promotor mais ecológico na indústria da construção sustentável
Aumento no valor do aço entre 1997 e 2012

 

Uma construção insustentável pode valer menos do que o terreno onde assenta – o valor contabilístico é artificial."

Owen descreve os edifícios da sua empresa como sendo “concebidos para serem desmontados”. E passa a explicar: “Se responder à pergunta 'Como podemos desmontar esta parte para que possamos ver o que se pode reutilizar?’, está a responder automaticamente à pergunta 'Como é que a construo?'. “Concebemos 'ao contrário'”, explica. “Começamos por criar os interiores e, em seguida, envolvemo-los num exterior.” A Delta vai mesmo ao ponto de ter uma empresa de demolição envolvida durante as construções, uma vez que o seu modelo de negócio se baseia no valor residual dos edifícios. Os resultados, afirma Owen, são informações valiosas como, por exemplo, “alargar as entradas para que seja mais fácil retirar materiais durante a demolição”.

 

"É uma abordagem à construção verdadeiramente diferente e única, mas faz todo o sentido em termos de pensamento circular"

 

Perguntámos-lhe a opinião acerca da poupança energética. Mais uma vez, é um ponto da maior importância na agenda da Delta: “Investimos imenso tempo e recursos a tentar reduzir o custo, utilizando a regra 80/20 – 80% de lucro para 20% de investimento."

As pessoas são o motor
do desempenho


Owen lamenta que, em muitas empresas, “os seres humanos sejam vistos como 'capital humano' e isso é terrível. As pessoas são o motor do desempenho e é extremamente dispendioso recontratar e manter um novo funcionário.” Com os custos do recrutamento e retenção de excelentes funcionários a aumentar de ano para ano, a abordagem da Delta é a de dar aos funcionários a oportunidade de participarem ativamente no processo de design do escritório, envolvendo-os na criação de espaços flexíveis onde é fantástico trabalhar e que fará com que queiram dar o seu máximo todos os dias. Manter o pessoal interessado e leal.

 

“Olhamos para os 4 Cs: comunicação, colaboração, concentração e contemplação. Tentamos sempre envolver os RH no planeamento de desenvolvimentos e pedimos às empresas que realizem inquéritos sobre a quantidade de tempo que as pessoas passam em cada área”. A criação é o nosso quinto C – trata-se muitas vezes de um espaço exterior ou de um espaço ativo, como um ginásio.” Ao utilizar paredes flexíveis nos seus desenvolvimentos, a Delta também procura fornecer espaços que possam mudar consoante as necessidades das pessoas que os utilizam, numa solução vantajosa para todas as partes.

Dizemos “Junte-se a nós para
ajudarmos a fazer sorrir as pessoas”

Quando a Delta estabelece parcerias estratégicas com outras empresas, por exemplo, com a Philips, Owen afirma que a sua proposta é simples e humana: “Dizemos 'Junte-se a nós para ajudarmos a fazer sorrir as pessoas': este é o meu orçamento, deem-me o vosso melhor”.

 

A Philips é um parceiro interessante, “porque adotou uma abordagem de economia circular e está a dar um passo no sentido dos contratos baseados em serviços”, em que a responsabilidade desse ativo não assenta no proprietário ou no ocupante do edifício, mas sim num fornecedor de serviços. O resultado é o “pagamento por luz”, o “aluguer de luz” ou o “aluguer operacional”. Owen explica que tal faz parte da documentação IAS 17: “Pode proceder deste modo com qualquer elemento que não faça parte da estrutura do edifício.”

Se puder ter um efeito de 5% sobre alguma coisa, remeto para a maior influência: a pessoa."

infografia; Owen Zacharaisse prevê que a vida útil dos edifícios possa diminuir de 100 para 30 anos, com construção mais sustentável

Owen prevê que os períodos entre o desenvolvimento e a demolição sejam reduzidos de 100 anos para 30.

Perguntámos a Owen o que prevê para o futuro. Owen vê a reutilização de edifícios existentes como um fator cada vez mais importante: “Historicamente, os edifícios eram construídos para durarem muito tempo, mais de 100 anos. Atualmente, planeamos a reutilização após 30 anos, altura em que é possível reaproveitar os materiais e o espaço.”

 

Por fim, pedimos a Owen para resumir a filosofia da Delta. Muito simplesmente, afirma: “Estamos a utilizar o nosso negócio como um motor para a mudança. A nossa abordagem de economia circular é benéfica não só para o planeta e para as pessoas, como também para o lucro.”

Artigos relacionados

Explorar as tendências principais e as ideias mais recentes para mudar o local de trabalho atual

FutureOffice

Saúde e Bem-estar

Veja de que forma o conforto no local de trabalho pode manter as pessoas saudáveis, felizes, motivadas e produtivas.
Ler mais
Infografia saúde e bem-estar
Infografia Espaços de trabalho baseados na Atividade de Escritório da Philips

Interação e experiência

Veja de que forma a revolução digital mudou a forma como trabalhamos.

Ler mais

Conectividade

Descubra de que forma a tecnologia perfeita de um "edifício inteligente" pode otimizar o seu escritório.
Ler mais
Infografia conectividade